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Surto de esgana
2016-04-18
Surto de esgana

Nos últimos tempos temos tido um número crescente de casos de Esgana diagnosticados e confirmados em laboratório. Apesar de historicamente a incidência da doença ter diminuído ao longo do tempo devido à maior sensibilidade das pessoas para a vacinação dos seus cães, podem ocorrer surtos de doença como o que está acontecer agora e a situação actual é dramática.
Trata-se de uma doença infecciosa causada por um vírus altamente contagioso. A infecção dos cães ocorre por contacto directo com partículas virais que vivem nas secreções de animais infectados (corrimentos nasais ou oculares, urina e fezes), bem como através da pequena percentagem de animais que sobrevivem à doença e continuam a excretar o vírus durante meses, mesmo que aparentem já estar saudáveis. Mesmo após total recuperação os animais podem ficar com sequelas para o resto da vida, geralmente neurológicas.
Cachorrinhos que não têm o protocolo vacinal completo, animais imunodeprimidos ou que nunca foram vacinados ou, como acontece muito na nossa zona, só têm a vacina da raiva, são os grupos de maior risco. Temo-nos deparado com situações graves em animais de todas as faixas etárias, mesmo que já tenham sido vacinados no passado.
O vírus da esgana afecta vários sistemas do organismo (tracto gastrointestinal, tracto respiratório e sistema nervoso) pelo que os sintomas são muito variados de caso para caso conforme a fase da doença e nem sempre são óbvios, podendo ir desde sinais leves até estados hiperagudos que culminam na morte do animal.
Sinais a estar atentos:

- Febre: aparece uma semana após a infecção, dificilmente notado pelos donos.
Na segunda semana o vírus espalha-se pelos outros sistemas, inclusivamente o sistema imunitário e causa sinais como:
- Corrimento nasal e/ou ocular,
- Conjuntivite
- Tosse ou dificuldades respiratórias
- Perda de apetite, vómito e/ou diarreia
- Sinais neurológicos: "tiques", mioclonias dos membros e músculos mastigadores, fraqueza, paralisia, convulsões, descoordenação.

Para o DIAGNÓSTICO é fundamental a recolha de todos os dados possíveis sobre o animal, sobre a ninhada, locais que frequentou, estado vacinal e pequenos sinais que podem passar despercebidos ao dono.
Médicos Veterinários que estejam sensibilizados para a doença conseguem reconhecer e associar os sinais clínicos e a história do animal à doença, mas muitas vezes o aparecimento dos sinais é progressivo e inespecífico com infecções secundárias associadas e o diagnóstico pode ser complicado.
Recomendamos vivamente que todos os animais em que haja a ínfima possibilidade de ter tido contacto com a doença e apresentem algum dos sintomas supracitados SEJAM TESTADOS. A gravidade da doença e a facilidade de disseminação são grandes demais para que fiquemos indiferentes.

NÃO HÁ TRATAMENTO ESPECIFICO para a doença. O tratamento instituído baseia-se em tentar controlar os sinais que o animal apresenta e tratar infecções secundárias. Mesmo com tratamento, a esgana é muitas vezes fatal e a progressão dos sintomas é muito rápida. Especialmente os sinais neurológicos agravam muito rapidamente e não respondem ao tratamento e mesmo quando o animal sobrevive pode ficar com sequelas para o resto da vida.
Dependendo da fase da doença, da debilidade do animal e tendo em conta a potencial infecção de outros animais, infelizmente nunca se pode descartar a necessidade de recorrer à eutanásia.

Dada a inexistência de tratamento específico e as elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, a melhor opção é a PREVENÇÃO. Aconselhe-se com o seu médico veterinário assistente, EXISTE VACINA para a esgana e a primeira dose (de 3) deve ser administrada a partir das 6 semanas de idade.
RECOMENDAMOS VIVAMENTE que se tem um cão, leve o boletim de vacinas ao seu médico veterinário para que ele avalie o seu estado vacinal e sejam feitos ajustes ou tomadas as medidas necessárias.
Se tem um cachorrinho que ainda não tem o protocolo vacinal completo, por favor siga à risca as indicações do seu médico veterinário. Não arrisque! Não misture cães que não conheça o seu estado vacinal com os seus. Neste caso todo o cuidado é pouco!

 

Cláudia Ramalho, médica veterinária no Hospital Veterinário do Baixo Alentejo

* Hospital acreditado pela Ordem dos Médicos Veterinários

* Hospital licenciado pela DGAV