Marcação Consulta
Casos Clínicos
DIROFILARIOSE
2017-07-18
DIROFILARIOSE

DIROFILARIOSE CANINA


O que é a Dirofilariose canina?

A dirofilariose ou "verme do coração" é uma doença potencialmente fatal causada por um parasita, denominado Dirofilaria immitis, transmitido através da picada de um mosquito culicídeo. Na forma adulta, o parasita aloja-se nas câmaras direitas do coração e nos vasos sanguíneos pulmonares, podendo atingir até 35 cm de comprimento.

Esta patologia afecta principalmente a espécie canina e é uma doença cada vez mais comum, representando actualmente uma das doenças parasitárias dos cães mais importantes da Península Ibérica.


Como se transmite a Dirofilariose?

A doença é transmitida entre animais através da picada de um mosquito infetado. O mosquito, por sua vez, infeta-se quando se alimenta num cão portador do parasita.

A doença só se transmite mediante a picada dum mosquito portador da forma larvar infetante. No entanto, um cão doente constitui um foco de transmissão da doença, porque transmiti-la-á aos mosquitos que nele se alimentarem, dando início a um novo ciclo da doença.


Qual é o ciclo de vida do parasita?

Num cão infetado, as fêmeas de Dirofilaria adultas produzem, diariamente, centenas de formas larvares microscópicas (designadas microfilárias), que são libertadas na corrente sanguínea. Os mosquitos alimentam-se do sangue de cães infetados, ingerem as microfilárias e ficam contaminados.

No interior do mosquito, ocorre desenvolvimento das microfilárias até à forma infetante, durante cerca de 2 semanas. As formas larvares infetantes são transmitidas quando o mosquito volta a alimentar-se noutro cão e depositam as larvas do parasita no sistema hemolinfático.

No cão, essas larvas migram para os tecidos subcutâneos e dão origem a jovens adultos que se vão alojar ao nível das artérias pulmonares e coração, cerca de 4 meses pós-infeção, onde atingem a forma adulta.

Uma vez no coração os adultos reproduzem-se e podem causar leões graves a nível cardíaco e pulmonar, que por vezes são irreversíveis.

As fêmeas adultas libertam as microfilárias na circulação sanguínea, ficando estas disponíveis para infetar mosquitos que se alimentem no animal infetado, começando novamente o ciclo.

São necessários cerca de 6 meses para as larvas injetadas pelo mosquito atingirem a forma adulta, que pode viver durante 5 a 6 anos no coração do cão. Em casos extremos, um cão pode estar infestado com centenas de parasitas adultos.

O ciclo biológico de Dirofilaria immitis exige sempre a passagem do parasita pelo organismo do mosquito. Sem ele, as microfilárias não podem adquirir a forma infetante e o parasita nunca atinge o estádio adulto.


Quais são os sintomas da doença?

A Dirofilariose só causa sintomas clínicos numa fase bastante avançada da doença. Infelizmente, quando os sintomas clínicos se manifestam, o processo está de tal forma avançado, que as lesões existentes nos órgãos internos podem ser irreversíveis.

Os sinais clínicos são muito variáveis e inespecíficos e incluem tosse, cansaço, dificuldades respiratórias e perda de peso. Outros sinais como acumulação de líquidos secundária a falha cardíaca, distensão da veia jugular com observação de pulso anormal, dispneia e taquipneia (dificuldade em respirar e aumento da frequência respiratória) podem ser detetados pelo médico veterinário, se já houverem alterações significativas a nível pulmonar e cardíaco. Outros achados como cirrose hepática (alteração a nível do fígado) e glomerulonefrite (alteração a nível do rim) podem ocorrer secundárias à infestação.


Como é feito o diagnóstico?

A doença é diagnosticada através da realização de análises específicas. O diagnóstico pode ser efetuado pelo Médico Veterinário em poucos minutos, com recurso a testes rápidos que utilizam um pequeno volume de sangue do cão. Devemos ter em atenção que o teste pode dar falsos negativos caso a transmissão tenha sido feita há menos de 6 meses por causa do ciclo do parasita.

Se existirem sinais clínicos pode haver necessidade de realizar outros exames complementares como radiografias torácicas, eletrocardiograma e ecocardiografia.


Existe tratamento?

Existe tratamento, mas a sua viabilidade depende da gravidade da infestação. Normalmente são tratamentos demorados e com alguns riscos associados. Estes riscos estão relacionados com o número de parasitas adultos existentes a nível do coração e das lesões por eles provocadas nos órgãos internos

Cada paciente deve ser avaliado, individualmente, mediante uma série de exames que visam avaliar o grau de infestação e a extensão das lesões cardíacas e respiratórias.

Todos os animais diagnosticados com dirofilariose devem ser mantidos em repouso absoluto. O tratamento deve ser sempre efetuado sob vigilância do Médico Veterinário, que aplicará o protocolo terapêutico que considere mais adequado. Em geral, o tratamento processa-se por etapas ao longo de alguns meses. A eliminação das formas larvares e das formas adultas do parasita é feita em momentos distintos. Na maioria dos casos, o tratamento é eficaz, embora alguns pacientes possam ficar com sequelas da infestação (ex. insuficiência cardíaca).

Pode ocorrer reinfestação se não for efetuada profilaxia após o tratamento.


Como posso prevenir a infeção?

A prevenção constitui a melhor forma de combate a esta doença. Quando comparada com o tratamento, a prevenção é muito mais segura para o paciente, de execução mais fácil e menos dispendiosa.

A prevenção consiste por um lado na prevenção da picada do mosquito com a administração mensal de pipeta anti-parasitária ou aplicação de coleiras e na administração mensal de um comprimido (heartgard®) para eliminar as formas larvares transmitidas pelo mosquito infetado, impedindo desta forma que atinjam a forma adulta.

O Médico Veterinário assistente aconselhá-lo-á quanto à modalidade de profilaxia mais indicada para o seu cão. Recomenda-se que a profilaxia seja efetuada ao longo dos 12 meses do ano, para prevenir quaisquer transmissões acidentais. Não se deve iniciar este tipo de profilaxia sem antes ter a certeza de que o seu animal não tem formas adultas no coração.

Atualmente já existe vacinação contra esta doença (Guardian®), que se deve realizar anualmente em cães com resultado negativo para esta doença. O seu médico veterinário pode aconselhá-lo neste sentido.


A Dirofilariose transmite-se aos Humanos?

Por regra, a doença não constitui perigo para o Homem. Não obstante, os seres humanos podem ser picados por mosquitos infestados e, ainda que raramente, desenvolver formas cutâneas ou respiratórias de dirofilariose. Nestes casos, o parasita nunca atinge a forma adulta.


E os gatos podem contrair a doença?

Sim, contudo os gatos são afetados em menor escala que os cães. Embora os gatos sejam mais resistentes ao desenvolvimento do parasita, devido ao seu pequeno porte podem ficar extremamente doentes na presença de um número reduzido de Dirofilaria immitis adultos.