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LEISHMANIOSE
2017-07-18
LEISHMANIOSE

LEISHMANIOSE CANINA


O que é a leishmaniose canina?
A leishmaniose é uma doença causada por um parasita denominado Leishmania infantum, transmitido pela picada de flebótomos que são pequenos insectos muitas vezes confundidos com mosquitos. Estes insectos têm uma distribuição mundial e podem ser encontrados em várias regiões do sul da Europa, incluindo Portugal, Espanha, Itália e sul de França. A Leishmaniose pode afectar vários animais, incluindo o Homem, sendo por isso considerada uma zoonose. O cão é o principal hospedeiro e é a espécie mais afetada por esta doença, que não tem cura e muitas vezes tem um desfecho fatal. Estima-se que 110 mil cães estejam infetados embora muitos não manifestem a doença. Outros animais como os gatos, as raposas e os roedores podem, igualmente ser afetados. 


Como se transmite a Leishmaniose?
O parasita é transmitido aos cães e ao Homem, pela picada de insetos flebótomos fêmeas das espécies Phlebotomus perniciosus e P. ariasi. Estes pequenos insetos de cor amarela clara vivem nos refúgios de animais, habitações, caixotes de lixo, jardins, matas, etc. e alimentam-se, preferencialmente, ao final do dia.
Em Portugal, a doença é endémica em todo o território, embora algumas regiões apresentem uma prevalência mais elevada que outras.
Em regiões endémicas, a principal via de transmissão é através do inseto, embora, a transfusão sanguínea, o contacto direto, a transmissão venérea e a transmissão mãe-filho também possam estar implicadas. Os cães que vivem sempre no exterior ou na maior parte do tempo fora de casa, os cães de raças exóticas, os cães de pelo curto e os animais com idade igual ou superior a 2 anos correm maior risco de ser infetados.


Qual é o ciclo de vida do parasita?
Em termos de ciclo de vida do parasita: ao picar um portador da doença, o flebótomo é infectado com o parasita, que se vai desenvolvendo no seu interior ao longo de um ciclo que pode durar entre 4 e 25 dias.
Quando o flebótomo pica um novo hospedeiro, inocula no seu organismo o parasita, transmitindo-lhe, deste modo, a doença. A leishmaniose pode ter uma progressão variável, dependente do estado de saúde e resposta do sistema imunitário dos animais ? significando que após a infecção, os sinais clínicos podem surgir num intervalo de 1 mês a 2 ou mais anos. Em alguns casos, os animais infetados podem mesmo não manifestar quaisquer sinais da doença. Os parasitas afectam órgãos internos como a medula óssea, linfonodos, fígado e o baço, e são bastante comuns alterações sanguíneas, lesões renais e articulações.


Quais são os sintomas da doença?
Os sinais clínicos mais frequentes são: emagrecimento, perda de pelo, úlceras e descamação da pele em especial nas orelhas e à volta dos olhos, aumento dos gânglios linfáticos, crescimento exagerado das unhas, hemorragias nasais, anemia e os órgãos internos também podem ser afectados e provocar alterações dos rins e fígado e por vezes culminar na morte do animal.
É importante ter presente que não existe cura para a Leishmaniose Canina e que, mesmo quando o animal sobrevive, acaba por se tornar um doente crónico, que necessitará de um acompanhamento médico vitalício.
 
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é essencialmente clínico e confirmado por análises laboratoriais. A perda de peso sem outra explicação e os sintomas na pele e no pêlo podem fazer-nos suspeitar de Leishmaniose, mas é sempre necessário complementarmos esta suspeita com um teste de diagnóstico laboratorial. Por outro lado, o período de incubação da Leishmaniose é muito longo e existem cães que permanecem assintomáticos durante muito tempo. As análises necessárias servem para a pesquisa do parasita e/ou de anticorpos e simultaneamente devem ser efetuadas análises de sangue e de urina para avaliar o estado geral do animal.


Existe tratamento?
A leishmaniose não tem um tratamento que seja 100% eficaz. De acordo com o quadro clinico o seu Médico Veterinário assistente irá instituir o tratamento mais adequado para conseguir controlar os sintomas no seu animal e para que este possa ter uma vida próxima do normal. Contudo será sempre um doente crónico e terá de fazer controlos regulares da doença, podendo nunca vir a ter um desfecho positivo.


Como posso prevenir a infeção?
Para além da manutenção de um bom estado de saúde do seu cão, pode aconselhar-se com o médico veterinário acerca das diversas formas de prevenir esta doença, tendo a noção de que funcionam de forma integrada e que nenhuma é 100% eficaz. Deve aplicar regularmente inseticidas com efeito repelente (coleiras ou pipetas) de modo a impedir a picada do flebótomo e apostar na administração anual da vacina da leishmaniose ou duas vezes por ano do xarope Leisguard.
Idealmente em zonas endémicas, mesmo com uma proteção eficaz do seu animal o ideal seria testar anualmente para a doença.


A Leishmaniose transmite-se aos Humanos?
O parasita é fundamentalmente transmitido pela picada do inseto flebótomo. O risco de contrair leishmaniose é pequeno nos humanos imunocompetentes. No Homem, quando o tratamento é feito corretamente, a percentagem de cura é acima dos 95%. A leishmaniose humana ocorre, principalmente, nas populações mais pobres em áreas rurais e suburbanas ou em indivíduos imunodeficientes (SIDA, por exemplo).