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Quem quer uma dentada?

2009-09-02

Quem lida com animais arrisca-se a levar uma dentada ocasionalmente. Mesmo que a intenção do animal não seja magoar, pode fazê-lo inadvertidamente. O melhor é aprender a evitar... E a tratar.

A dor imediata pode até não ser forte, mas é preciso prevenir as infecções posteriores já que bactérias podem instalar-se nos tecidos lesados e provocar situações mais graves.

“As feridas com mais probabilidade de infectar são as que se localizam na face ou nas mãos. O factor tempo também é importante, devendo todas as feridas ser desinfectadas o mais rapidamente possível, já que aquelas que não têm cuidados médicos durante as primeiras 8 horas estão mais sujeitas a infecções”, explica a Dra. Kate Stenske, clínica e professora assistente da Kansas State University's College of Veterinary Medicine. “Quando uma pessoa é mordida, a primeira coisa a fazer é lavar bem a ferida com água e sabão, e procurar cuidados médicos logo de seguida”, acrescenta.

Stenske explica que as feridas resultantes de dentadas de cães e gatos podem infectar facilmente porque a sua flora oral é constituída por bactérias aeróbias e anaeróbias cujo desenvolvimento é facilitado pela lesão da pele.

“Os gatos têm dentes pequenos e muito afiados que são capazes de penetrar profundamente na pele sem causar grandes danos superficiais. A lesão não parece por vezes muito grave mas a probabilidade de infectar é maior. As bactérias patogénicas que encontramos mais frequentemente neste tipo de lesões são as Pasteurella, Bacteroides, Fusobacterium e Streptococcus. Nalgumas zonas do mundo, em que o vírus da raiva ainda é endémico, constitui também uma preocupação. Neste caso, o tratamento médico é essencial para prevenir uma possível progressão da doença que pode ser fatal”.

No entanto, algumas infecções consequentes a lesões feitas por um animal não são directamente da responsabilidade deste. Em muitos casos, são as bactérias que as pessoas têm na pele que contaminam a ferida e se desenvolvem no seu interior.

As dentadas constituem um problema de saúde pública. De acordo com a American Veterinary Medical Association, mais de 4,7 milhões de pessoas por ano são mordidas por cães naquele país. Na maioria dos casos o animal é da própria família, de amigos ou de vizinhos.

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As crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 9 anos, especialmente rapazes, são as que se encontram em maior risco, provavelmente devido ao seu tamanho e tipo de aproximação que fazem aos animais, ao barulho e movimentos rápidos, à provocação característica e à falta de capacidade para entenderem a linguagem corporal de um cão. É por isso muito importante aprender e ensinar às crianças como se deve lidar com um animal. Neste momento existem diversos cursos e meios de comunicação social, nomeadamente online, que podem ser uma óptima ajuda.

Stenske diz que qualquer cão pode morder, mesmo os mais queridos e engraçados: “Se forem colocados numa situação de perigo, podem morder”.

Para minimizar o risco, aconselha a aprender a reconhecer os sinais de medo, nervosismo ou agressividade de um bicho. Socializar um animal é fundamental: habituá-lo à presença de estranhos em casa e na rua, e fomentar a sua interacção com terceiros, são pontos-chave para evitar reacções agressivas. Quando animais estranhos se aproximam com atitudes duvidosas, o conselho desta veterinária é que fique completamente imóvel se está de pé, e que se enrole sobre o corpo se está no chão, especialmente no caso de crianças.

Resumindo, qualquer animal pode, mesmo que inadvertidamente, magoar-nos. O que é importante é que aprendamos a lidar com eles de forma a minimizar esse risco. Muitas vezes os danos que são infligidos por animais a humanos resultam, não da agressividade intrínseca do animal, mas sim da falta de informação que leva as pessoas a lidarem com eles de forma incorrecta, quer se tratem de donos, quer de estranhos.